Zil, uma pessoa em cuja vida havia apenas e tão somente a 1ª pessoa do singular: EU,EU,.EU e lá pela 39ª posição, os outros...
Era muito mimada pelo pobre marido e aproveitava-se da bondade dele para ter estranhos e caros desejos, incompatíveis com a situação financeira da família.
Ele, sempre fraco , não lhe deixava faltar NADA...Embora, por dentro, aquilo lhe revoltasse.
Eram os chocolates importados, alemães os da preferência, e várias futilidades, sempre importadas e caras...
Para os filhos, apenas cabia olhar e sentir o cheirinho do conteúdo daquela latinha azul dos chocolates, quando era aberta...Era intocável...
O tempo passou e para Zil e filhos também...
Cada um deles teve sua casa, família e graças à Deus, muitos chocolates quando quiseram...E em suas casas, TUDO foi repartido , compartilhado, nada EXCLUSIVO.
Com o girar dessa roda da vida, Zil foi parar numa clínica. As filhas, sempre a visitá-la e lá também , os chocolates importados, tudo como antes sempre sendo feita a vontade, à disposição...
As filhas agora, enquanto a mãe ali deitada , podiam comer, mesmo sem vontade e sabem do que mais? Degustavam pedacinho por pedacinho e não pelo sabor do chocolate...Sim, pelo sabor da justiça que finalmente se fazia...Nenhuma mãe pode ou tem o direito de fazer isso com os filhos...
Agora, comiam o que queriam. A mãe não mais tinha o CONTROLE!
Mas o gosto era bem outro: era o que a vida mostrou em suas voltas...Pena!