Paula e sua família, os pais e três filhos estavam sempre juntos, todos trabalhavam, porém à noite,o encontro era muito agradável e de ótima convivência, uns com os outros.
Paula era a mais agitada de todos por lá. Sempre com pressa, horários, campaínhas, telefones, tudo...
E, assim rolavam seus dias.
Mas, a morte veio buscar sua mãe e três meses após, o pai.
Certo dia, Paula convocou as irmãs para conversarem sobre como todos estavam, falar sobre o que cada um tinha em seu coração. Fizeram uma reunião de família, pois agora, quase nem sobrava tempo para conversarem e sentiam todos muita falta!
Lembravam e falavam que antes da morte, foram as correrias da familia em hospitais, UTIs, clínicas e atendendo os telefonemas de todos que, ansiosos, esperavam notícias e ouvir sobre melhoras...
De repente, cessa essa correria...Não precisavam mais nada ...
Ficou tudo quieto e calmo... São os momentos das despedidas...
Comentam entre si que é tudo muito estranho naqueles momentos: um silêncio que ninguém imaginaria...
Lembram ainda que lá fora porém, tudo continuava igual, os ônibus fazendo barulhos, buzinavam, bancos, comércio, supermercados lotados, cachorros que latiam, tudo, tudinho normal...
E, forçosamente. após alguns dias, tudo volta à rotina...
A vida retoma, obrigatoriamente, o seu ritmo...
Logo foram, poucos dias após ,levados a entrar no barulho do mundo e o silêncio era só delas...
Mas uma coisa juntas assim, as ajudava. Percebiam, tinham a noção correta de que a morte é apenas uma travessia do mundo, tal como os amigos que atravessam o mar e permanecem vivos uns nos outros.
E concordam hoje, que foi essa certeza que as fez suportar tudo...
Sabem muito bem agora que não somos realmente nada, no quanto somos pequenos e no quanto não fazemos falta na engrenagem da vida... Tudo segue sem nós...Temos o nosso tempo de "rodar" e depois, parar... E que temos que viver bem cada dia, enquanto aqui rodamos...
Assim, depois da dor, a certeza e junto com a saudade, a constatação de que ali mesmo, conseguiram rir...
Viram que a saudade havia mudado.Era ainda grande, mas era mais doce...
Já conseguiam lembrar coisas até engraçadas dos pais e finalmente ficam apenas com as boas e doces recordações...
Paula e família agora sabem e tentam ajudar, fazendo ver, para que todos fiquem bem conscientes e cada um se dê o devido valor sem, no entanto, se imaginar grande ou melhor do que os outros. Sabem ver o real tamanho de cada um dos seus "eus" e assim, juntas enquanto der, pretendem seguir...
Ao final da reunião, Betina diz que tem algo que vai mudar sua vida e também a delas... Curiosas, questionam até que ela anuncia que está grávida de um colega de trabalho ,com quem namorava "de leve"e assim, aquela reunião onde a morte e suas consequências foram colocadas em pauta, finalmente acabou em VIDA.
E todas agora, repentinamente abraçaram a futura mamãe, com muita pena da vovó e vovô não mais estarem ali para assistir essa cena...
Mas sabiam que de algum lugar, eles sorriam e sobretudo, torciam para que as filhas se conservassem sempre unidas e amigas assim...
E, adivinhem quem saiu na manhã seguinte correndo para comprar a primeira peça para o bebê da mana? Claro, Paula, a agitadinha!
Agora as expectativas giravam em torno de vida, bebês, mamadeiras, amamentação, tantas coisas... Ficou divertida a coisa por lá novamente!