♥ A neblina, um chá e ... ♥



Casa de cima,
 casa lá em baixo...

Viúvo, só e abandonado,
na de baixo, morava Seu Quinzão!

Viúva e por isso triste, atormentada,
 na do alto, vivia Dona Fada...

Cada um com seu arado
 tratavam do terreno,bem conservado...

No verão, até se falavam,
 mas o trabalho,era muito, 
sempre cansavam...

Cedo dormiam, 
cedo acordavam
e a lida, retomavam...

Finzinho de outono
aquele , para D.Fada, parecia diferente ser...

Sentia algo em si modificado,
 precisava tanto de um querer.

O finado  falta lhe fazia
ainda que servisse apenas como companhia.

Amor entre eles já há tempo, havia morrido
agora, chorava, a falta de coragem, o tempo perdido...

Mas, algo dentro dela diferente pulsava...
Até o seu coração novamente  se atiçava...

Naquela tardinha, pela janela da casa olhou...
Viu a neblina baixando... 
Em seu rosto, uma lágrima sentida rolou...

Olhou para fora...
Foi até um velho espelho no banheiro...

Tomou um rápido e morno banho
 Passou até água de cheiro...

Criou coragem...
_Nada me fará ficar sozinha!

Pela cozinha , decidida passou...
Pega uma chaleira de chá que preparou...

Canela,cravo, laranjeira...
Ah, lembrou!
_ Um pouquinho de erva-cidreira...

Assim, decidida, o morro verde desceu.
Na mão a chaleira, no rosto, a coragem...
 Não perderia, por certo a viagem...

_ Boa noite,Seu Quinzão!
Vi a luzinha acesa, a chaminé fumegando...

Fiquei de lá imaginando...
Será que Seu Quinzão não vai gostar de comigo tomar uma chaleira de chá?

Ele, espantado, sorriu...
_Entre!  Entre logo!Aí fora já faz frio!

Ela entrou, a chaleira na chapa do fogão deixou para aquecer..
Ali, agora sentados e  um chá pela Fada preparado...
A magia deveria acontecer...

Enfim, entre conversas, chega a hora dela para casa voltar.
_ Olhe lá fora! Diz ele:
Essa cerração baixa e forte após o chá quente , pode sua saúde arruinar!

Porque não espera aqui, ficamos juntos, aqui no quentinho
podemos ter tanto para conversar...

Ela acanhada e "assanhada", com as bochechas ruborizadas
 o convite, feliz então,  aceitou...

O resto da história?
Por sob o manto da cerração ficou...

E, depois daquela noite,
nunca mais, nenhum dos dois, sozinho ficou!

chica